segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Aí ... mas de que serve imaginar Regiões onde o sonho é verdadeiro Ou terras para o ser atormentar ? É elevar demais a aspiração, E, falhado esse sonho derradeiro, Encontrar mais vazio o coração. Fernando Pessoa, in Soneto XXXIV

APENAS UM ESBOÇO
Passos tremidos na ressonância
Dum baterem em surdo.
E assim, duvidosos gigantes
Arrasam léguas de distância.

Já não se ouve o rasto dos silêncios.

E os barulhos, são gritos abafados
Na incerteza dum amanhã.
Apenas aquelas notas secas,
Voam á frente dos olhos.

Baile incerto das folhas tremidas,

Danando uma última valsa.
No Outono, tom castanho
O pintor
Sombreia com o pincel do futuro.

Rabiscos de angustia

E deixa cair as folhas nas páginas do destino.
Fixa-as bem no Alto com as mãos,
Mas não muda o colorido.
Pintar o quadro é difícil
Apenas um esboço
Utilia Ferrão








2 comentários:

Ailime disse...

Olá amiga Utília,
Que poema lindíssimo!
Por aqui sinto como que um pouco das folhas de Outono em que me revejo.
E esse recanto de casa florido maravilhoso.
Beijinhos e vá aparecendo.
Deixou saudades.
Bom domingo. Ailime.

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida amiga Utília
Já não se ouve o rastro do silêncio... nem dentro de nós, muitas vezes...
Bjs de paz e bem