sexta-feira, 9 de setembro de 2011

OXALÁ COMPREENDAM

Deus? É Justo

Estou sentada na margem daquele rio, que por sinal me leva mais longe que a sua foz, leva no caudal a minha conversa e talvez mais... calma e desinteressada sigo a corrente ao sabor das brisas.

Entre mim, eu e Ele. Podeis ouvir, pois claro. Não há segredos, há vivências e esta, eu vou partilhá-la.

As águas são límpidas, transparentes vêem como eu? Olho ao largo e parece-me encontrar o ondular do meu pensar inédito, enquadrado num sentimento de paz e serenidade.
A Luz paira sobre aqueles fios de prata, engrossando os meus olhos.

É a verdade.

Amigos, só vos darei este segundo mas ele enriqueceu-me tanto, que neste momento mesmo é todo o ouro, toda a prata e toda a alegria que posso e sei transmitir-vos. Aceitam?

Nada nem ninguém pode retirar-te a paz. Dizia Ele

Tenho que sair de mim...Vou nadar. Saberei? Não sei se...Não fazer nada é afogar-se.

Duas lágrimas teimosas insistem em querer juntar-se a esta torrente...

E pouco a pouco, encontro-me, encontro-te, entre o rio e as duas gotas, entre, mim, e o “eu” estava o Tu estendendo-se a vós naquele rio..

Chamaste-me?

Vamos para a outra margem?

Talvez porque é a hora, ou porque as lágrimas sabem a sal, não quero engoli-las, deixo-as penetrar no rio (naquele rio) saberás qual? Elas brotaram da nascente dos meus sentimentos. “A justiça?”

Levas-me longe de mais na Tua reflexão
E por isso tenho que voltar atrás, sabem?

Justa para comigo?
Justa para com os outros?
Parâmetros de justiça?
Deus Justo, e os homens?
Filosofias de vida?
O que sinto?
O que faço?

Deus não é uma invenção e a justiça de Deus essa é e será sempre uma meta a atingir.
Não é fácil... confesso, que quando se deitam os olhos á miséria que prolifera diante da ostentação e do puder dos homens e o Puder de Deus, eu não sei muito bem compreender... faço esforços, acreditem.

A balança pesa e quase se afunda em julgamentos e se os meus são falsos, aonde estará a verdadeira justiça.
Sem reflexão, o homem pode errar, mas sem justiça a balança no prato do bem-fazer afunda-se no da precariedade
.
Não, não eram de dor de alegria ou desespero eram gotas paralelas que branqueavam a alma dum saber outro

Será que a proximidade Desta Água me leva á lavagem destes pensamentos que me perturbam?

Que pensas Tu?

Eu sei que nunca me dizes frente a frente o que pensas.
Mas eu sinto que se entrares nessa barca, a tempestade será acalmia.

Oxalá me compreenda.
Utilia Ferrão

Rio Sena

domingo, 4 de setembro de 2011

HÁ SEMPRE UM BOCADO DE PEDRA MAIS PONTIAGUDO QUE OUTRO

Ao vaguear pela estrada da vida tropecei comigo, e distingui os velhos sapatos, que rotinhos por causa de tanto caminhar, feriam os meus pés, eram palmilhas novas que faltavam.... Retirei-os, sabem? Já não conseguia continuar a usá-los, e por mais deselegante que pareça, o melhor será fazer-me a sola dos pés.
 Sabem meus amigos? Por vezes, é preferível caminhar descalço que com um sapatos rotos ou apertados, claro, que se... se caminha de pés nus, os olhos terão que estar bem abertos e os ouvidos bem alerta, postura direita.
Há sempre um bocado de pedra mais pontiagudo que outro, ou ás vezes um prego que teima em estar lá aonde não devia, sem contar com aquelas tais cascas de banana...deixadas descuidadamente por aí, e claro, tudo pode acontecer: ferir-se como é óbvio, e até escorregar, pois claro.
Mas mesmo descalça nunca se deixa de apreciar o toque da terra mãe, nos pés de quem a tropeou, é agradável sabem?
 È uma sensação de já vivido, como que um acordo entre um ser tão “terra á terra” que gosta de tocar, sentir, ouvir e discernir e por fim caminhar, e um ser dito inanimado que finalmente até nem é, digo eu. Acreditam?
Ter consciência do que se é, esfregar os olhos e acordar para novas ideias novas caminhadas, atravessar pontes, destruir muros, trabalho árduo, dizeis vós? Mas eu digo-vos: a satisfação dum desejo íntimo dá sabor á vida.

Li uma passagem do livro dia a dia com Deus e ficou-me o sabor doce destas palavras que transcrevo:

Regra geral, as nossas acções giram em torno do habitual: fazer.
Quem vai fazer isto? Quem vai fazer aquilo?
Absorvidos por tanta coisa a fazer, nem sequer nos sobra disponibilidade para equacionar se não haverá nada que lhe seja anterior, concomitante ou posterior. Se, no fundo, não haverá nada mais importante, prioritário ou urgente.
O dia-a-dia com a sua devoradora carreira sugere-nos que não. João Paulo II, com a sua sapiente lucidez, garante-nos que sim. Acima do fazer encontra-se o ser.
É pois á luz do ser que se impõe parar um pouco.
Para sentir, para ponderar e para pensar: pensar o que se faz afim de se fazer o que se pensa.

Acabei de vos contar tanta coisa... mas, lembro-me agora, não vos disse que já cheguei de férias e que estas foram uma verdadeira reestruturação da minha pessoa, física e espiritualmente e social também: no ser no estar e no fazer.
 Louvado seja Deus.
Foi bom, muito bom, cheguei sem sapatos... mas finalmente não há crise, nasci assim sabem? Mas vamos mudar alguns pontos e virgulas o resto se me permitem fica igual.
Utilia Ferrão