domingo, 29 de janeiro de 2012

PEGAI NA BORRACHA DO TEMPO E APAGAI

Aí ... mas de que serve imaginar Regiões onde o sonho é verdadeiro Ou terras para o ser atormentar ? É elevar demais a aspiração, E, falhado esse sonho derradeiro, Encontrar mais vazio o coração. Fernando Pessoa, in Soneto XXXIV

Mesmo quando tudo parece virtual
Até quando o bem parece mal
A vida continua…

Enquanto o vento arrasta a lida
Apenas oiço o sopro da Vida
Valsa cada vez mais veloz…
A vida continua…

Grampa a existência na senda olvidar
E deixa para além o cogitar
Já o caminhar se torna fútil.
 Eu sei a vida continua

Escrevi este poema já nem sei quando, lembras-Te
Mary?

“Quem passa pela cruz vai descobrir o que existe além da cruz.”
E, eu sei também que só quem vai á luta tem a possibilidade de saborear a vitória.
Por favor, deixai-me falar, depois apaguem o que escrevi, apenas desabafei.
Pegai na borracha do tempo e fazei o que tendes de fazer, mas ficai cientes ninguém apaga mentes...elas continuam a pensar


Não sei bem como, mas as coisas acontecem e sente-se uma profunda tristeza, pergunta-se: não serão mesmo injustas certas coisas? Mas ninguém responde, há silêncios por toda a parte, há “eus” que se olham como sendo o centro do mundo e pequeninos, “ineus” escondidos e disfarçados no medo.
E numa corrida desenfreada, a vaidade vai e deslumbra-se em devaneios ao sabor dos enfeites mais insensatos e inéditos.
Contra uma parede de granito apertam-se as ideias.
Tudo está tenso esticado, a corda vai rebentar Senhor.

Sim falo comigo:
“Quem passa pela cruz vai descobrir o que existe além da cruz.”

Há coisas tão mesquinhas como os seres que as organizam e mesmo quando vêm as gentes debaixo da carga e injustamente com a corda ao pescoço apertadinho... apenas se ouve: “ daí lavo as minhas mãos.
Sim, o que conta são as mãos limpas. “Aparências” Mas, do Parecer ao Ser?
Mesmo se as lágrimas caem ao teu lado, os sentimentos não contam, nada são. Talvez sim...”São a água com que lavas as mãos.”Tocá-las? Apenas com olhos de ver, e quando mesmo elas são engolidas de vergonha, essas só as vês se olhares bem para dentro.
Requer Aquela visão global que escapa tantas vezes
Lembras-te?
 Quando o teu irmão caiu ao poço e se magoou,
Quando ele vacilou
Quando ele teve fome
Quando ele tropeçou
Quando ele te olhou a sorrir com lágrimas nos olhos.
Quando ele te pediu clemência

 “ Tens as mãos limpas” sim? Eu sei... e consciências?
“Só vou conseguir amar as pessoas que estão ao nosso lado quando eu tocar verdadeiramente no amor de Deus.”

Isso já não existe no mundo dos vivos....Ai que existe, simplesmente ultrapassem-se na meta do estar.
Estou desiludida, estou? Não, porque fui mais longe buscar a minha ilusão que finalmente é uma verdade.

Consciência colectiva, não conta, é pura treta.
Conta sim, mas não está formada nem informada
E eu que acredito em Deus, no “ser Humano” e até em mim, sinto-me enganada.
Porque será que a parvoíce paga tão pouco Senhor? É por isso que estamos em crise.
A demência, essa não me digas que atingiu o auge, a minha alma está confusa.
Deixa que te conte o que a média da totalidade afronta, é que já não consigo guardar a inacção por mais tempo, sinto que me “salta a tampa”.
Perdão Senhor, corri sempre como uma louca atrás da verdade, da dignidade da honra e do bem da sociedade e hoje vejo tudo a despejar-se num abismo sem medidas.
Eu perdi o Norte, será que Tu, Meu Deus, ainda manténs a Tua calma?
Pára isso por favor, é tempo de colocares a Tua mão poderosa, retirares a barca e governares Tu.
Eu sei que há dias de Sol mas não basta, tens que criar mentes para pensar, mãos para abraçar, dar e receber, pernas para caminhar, bocas para clamar e corações para amar.
Não sei se não te enganaste ao criares a humanidade,
Estes seres maravilhosos que concebeste acima de todos os seres, deixaram cair a dignidade
Utilia Ferrão

Apenas desabafei,