sábado, 7 de novembro de 2009

SONHOS DE CRIANÇA


"Cada vez que sorris a alguém, realizas um acto de amor"
Madre Teresa De Calcuta

Eras uma criança, escrevias os meus sonhos, as minhas ilusões e as minhas certezas.
Foi-se esvaziando o tempo e algo te puxou para outro lado. Destino ou maresia da iilusão nem sei.
Fixei os teus olhos e sonhei ainda mais alto, só porque decidi que era um sonho.
E aquela criança, tinha uma saia azul de xadrez...o principio do mundo dos grandes. Desgrenhada, descalça, ela sabia que havia dentro dos pés uma energia nova, e essa não precisava de sapatos, essa Força erudita subia muito alto, era maior que o sol.

Corrias pelos campos verdejantes com o coração afagado, na esperança da liberdade.

.....

Ciganita, diziam eles...Mas porquê? Se ser livre é ser cigana, eu sou...

Chegava á noite e sentada á lareira, eu aquecia os meus sonhos. Quando ouvia a panela da sopa a ferver aquela melodia fazia-me lembrar um novo amanhecer.
O avô contava histórias fantásticas, para ele e para mim tão verdadeiras, que o primeiro que duvidasse seria chamado de forasteiro mentiroso.
A que mais gostava, era a do "marrequinho, que morreu e a todos perdoou."
Fiquei sempre a pensar, como é que alguém que tanto sofreu pode perdoar assim
O terço á noite em família, pela alma deste, daquele e do outro era uma coisa que eu achava mesmo difícil, até porque as almas de que se falava eu nunca as via vir ao terço, e eu pensava mas que grande família ... somos tantos, mas aonde estão os outros?

Mas naquele casarão o que mais me impressionava eram mesmo os grilos , á noite na minha cama ouvia-os cantar, por vezes tentava imitá-los mas eles não faziam coram comigo, calavam-se. Então devagarinho, pé ante pé levantava-me e passeava por aquele soalho de tábuas, ia ouvindo ruídos, aqui e acolá mas nem sequer olhava para traz eram passos tão pesados a traz de mim que nunca soube quem marcava tais passos....Talvez eu? Talvez não...

Eu estava sempre atenta ao que se ouvia, o que se dizia o que não se dizia, eu ouvia e via e a avó dizia: "minha filha agente vê caras e não vê corações".

Acreditem, a curiosidade era tão grande que o meu maior sonho era ver os corações.
Utilia




segunda-feira, 2 de novembro de 2009

LEMBRANÇA

Eles Não morrem enquanto te lembrares deles



"Salmo 16.3


"Quanto aos santos que estão na terra, eles são os ilustres nos quais está todo o meu prazer."




Lembro hoje todos os santos que passaram na minha vida .


Aqueles que partilharam comigo os segredos da desventura


Aqueles que nos últimos instantes procuraram a minha mão


Aqueles que vivem ainda e fazem caminho para a Santidade.




A todos na comunhão dos santos eu quero deixar um raminho de flores


Abraços...



....Acordo de manhã e vejo que o que era já não é ...

Sibila o vento, as nuvens estão pesadas, a chuva cai e finalmente dou conta que a vida é um consenso, entre viver e morrer, sendo sempre vida.

Começo eu mesma por morrer um bocadinho mais hoje, deixando partir ilusões,e certas realidades, sabendo que há outras que se me impõem.

Faço os possíveis por não fugir ao prototipo... mas o meu ser leva-me mais longe que a minha realidade e o que eu penso ser real é falso e o que penso ser falso é verdadeiro.

Então afaga-me o fogo da Esperança e continuarei nesta aventura, afirmando que tudo isto é verdade, mas que existem outras verdades que a razão desconhece.

Pouco a pouco vou vos relatando o meu mundo que é este, palpável que tem sofrimento, angustia, dor mas também muita Esperança.

Utilia