quarta-feira, 26 de maio de 2010


A TERRA

Estamos Bem… Não diria bem, mas quase.
Quando se tem trabalho, quando andamos ocupados e temos objectivos, a vida, é um labirinto cheio de ânsias e projectos.
Ontem estava a passar a ferro e ouvi uma emissão na televisão:
“Como se poupava antigamente”, como se conseguia ter ambição e mesmo com pouco ser-se feliz, gostei bastante.
E hoje?
Quando vejo a minha mãe com uma idade avançada e já sem forças agarrada á terra onde nasceu, á terra que trabalhou, á terra que lhe deu o pão e também á terra que a há-de levar, fico-me a pensar…
És digna de seres condecorada com uma medalha de honra, tu e outras mulheres e homens desta terra que deram a vida para a tornar mais bela, mais digna e mais produtiva.
Já não podes, mas cada dia recomeças e dás uma volta pela quinta, vês e sabes quase com os olhos fechados o quão importantes são aquelas favas, aquelas ervilhas o milho que cresce, o feijão, as couves, alfaces enfim…
Sempre a dizer-me:” filha a quinta é uma riqueza.”
Tens tudo…batatas, feijão, legumes e fruta…”Que fartura “.
Sentada a olhar para o que semeou diz:
Porque gosto tanto de trabalhar a terra e já não posso…E agora?
Quem vai cuidar de tudo isto?
Cuidar? E eu cuidei… cuidei e tantos anos de corpos, sim, mas nem só de corpos… isso era demasiado fácil.
Mas cuidei de pessoas, que não é igual a cuidar corpos.
Escutei a alma e o corpo de tantos, enfim cuidámos, uma enfermeira cuida.


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Faz-me lembrar esta
Passagem da bíblia em Marcos 4:26-29
Ele dizia, sucede com o reino de Deus o mesmo que com um homem que lança a semente á terra: quer ele durma quer esteja levantado, de noite e de dia, a semente germina e cresce sem ele saber como.
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