terça-feira, 31 de julho de 2012

Aí ... mas de que serve imaginar Regiões onde o sonho é verdadeiro Ou terras para o ser atormentar ? É elevar demais a aspiração, E, falhado esse sonho derradeiro, Encontrar mais vazio o coração. Fernando Pessoa, in Soneto XXXIV

Vamos Caminhar?
E... porque gosto de fazer caminhadas... 
e... porque goste de estar  connosco  de mãos dadas.

Só para saber que entre a Serra e o Mar há 50 Km.
Só para saber que entre o  "tu e o  eu" há apenas alguns passos.
Só para saber que somos feitos do mesmo barro.
Soprados pelo mesmo vento
Só para saber que o que está a pensar já alguém pensou 
Só para saber que nunca  vive só.
Só  para saber que nunca por nunca  deve deixar de ser feliz.
Qualquer que seja o percurso, 
o atalho ou a encruzilhada em que se encontrar 
saiba que está  sempre de mãos dadas com alguém

E HOJE

Num abraço alcançou as ondas.
Levantou o pensamento,
E num gesto terno
O seu intento sibilou.
O que neste porto acurou.

E...
Sempre mais ao largo
Fado ou destino quem sabe?
Num passo lento, sem pranto

Colocaram a pedra de canto.

Enlaçando as ondas do teu cabelo.
Na mente dos teus pensares
O mar calmo
Enrolou batidos sentimentos

Ficando assim na água e na espuma
 As marcadas pegadas esculpidas
Para além dos passos lentos.

Bem medidas

Ficaram...Partiram?
È só ouvir este bater.
Passagem...
Das pontes vitais
 Aquelas mais reais

Apondes o tempo? Recolhem as saudades.
Mas cá dentro bem guardadas  ficarm
ou
Avançam na terra as marés-cheias
Águas salgadas do nosso mar.

Vamos navegar?

E como quem sabe
Aonde tudo vai levar
Como
De quem ilumina a mente
Dum sentir apaixonado

A Fúria do mar estende a mão.
Perdendo-se assim, em vão.
Tanto trabalho em questão

E se então, a onda
Correu para a praia e envolveu
Destinos, sopros e vidas.
E

Deixo aquele murmurar
Encharcar a verdade de tantas verdades
Que vou aguardar
Utilia Ferrão