terça-feira, 25 de agosto de 2009

POJECTOS ATÈ AO ÚLTIMO INSTANTE (EUTANÁSIA)

"Cada vez que sorris a alguém, realizas um acto de amor"
Madre Teresa De Calcuta
Considerando bem as coisas a Eutanásia seria um projecto de fim de vida, simplesmente suicidar-se é uma coisa, pedir a alguém que acabe com a vida de outrem é outra.
Aqueles que querem que a eutanásia seja legalizada, esses mesmos não me venham pedir para praticar esse acto, sou enfermeira, há já alguns anos, trabalhei em cuidados paliativos ensinaram-me a cuidar de doentes e não a matá-los.
Coloco em destaque aqui .
Um pouquinho do debate já em 1999, mencionado por Marie de Henzel, no livro, Nós Não Nos Despedimos. (Conversa entre O Senador Caillavet,e o Dr Gilber Desfosses).
Senador Callivet:
_Se estou nos cuidados paliativos, deveriam efectivamente reconhecer-me a liberdade de dizer: não espero mais! Esperar o quê? A morte?Já não me diz respeito, quero morrer imediatamente.....
Dr Gilbert Desfosses:
_Se me falasse assim, eu tentaria compreender, escutar, o que lhe causa sofrimento.
A sua voz é suave pousada, em contraste com a do senador.
_Procuraria ajudá-lo, combater a depressão que o habita, saberia também que o que me diz pode mudar.
_Quando alguém sofre porque está deprimido não é dar-lhe meios para se matar, é ajudá-lo a viver, eu ajudá-lo-ia dentro dos meus possíveis......´
Este assunto como se constata é delicadíssimo, há muitos anos que sou enfermeira e a minha experiência ensinou-me que o doente que pede a eutanásia fá-lo apenas num acto de desespero.
Eu vi doentes cansados no limite do desespero quererem morrer não porque optassem essa solução como ideologia ou principio, mas porque a dor a angustia a degradação física e moral, o desumanismo eram tão grandes que para eles a única solução possível era mesmo morrer, mas também constatei que quase todas essas situações foram resolvidas com um bom trabalho de equipas bem formadas em cuidados paliativos.
Vi muitos projectos mudarem a trajectória nos últimos instantes.
Estou dia a dia ao lado do doente e confesso que quando a dor do paciente não é controlada por falta de quereres ou saberes ou outro qualquer motivo isso também me leva a uma certa frustração.
No entanto continuo a afirmar que defendo a dignidade humana sendo contra a eutanásia.
Enfermeira Utilia