segunda-feira, 12 de abril de 2010

BANALIDADES

Aí ... mas de que serve imaginar
Regiões onde o sonho é verdadeiro
Ou terras para o ser atormentar ?

É elevar demais a aspiração,
E, falhado esse sonho derradeiro,
Encontrar mais vazio o coração.

Fernando Pessoa, in Soneto XXXIV
_Falava cá comigo, e, de repente, assim como que a minha voz interior dizia-me:
-Anda escreve.
Banalidades, claro, porque a vida é assim, cheia de banalidades e eu escrevo-as, ou antes descrevo-as e até as repito, porque gosto, mas nem sei porquê..., e já avançada na conversa, entre mim e "eu"
decidimos valorizar a Vida.
Ao desfilar da escrita iam saindo palavras tais como: "Vida?" "Morte"? "Nada"? "Tudo"? e estas palavras pareciam-me interligadas, quase que irmãs, tinham um som enorme, uma amplitude extra ordinária, eram Vida.
Estranho, mesmo muito estranho, de um momento para o outro são palavras assim, que rodeiam a Vida?
Acontece ... e isto também é vida, mas em ciclo no qual ela se transforma em morte e a morte se transforma em vida.
Fazemos então perguntas, assim como quem espelha o seu olhar no olhar dos outros, banalidades pois são?...
Passamos estes assuntos... são muito complicadas, ou talvez não.
Quero mesmo desviar o meu olhar, e ao mesmo tempo, olho pela minha janela e vejo o Zé das Hortas, a rachar uns paus e por um momento significativo concentro-me naquele , "Tudo".
Primeira questão?
Mas porquê tanta lenha?
Feito isto, alargo mais o meu olhar e vejo a chaminé da casa do Zé a fumegar.
Neste momento preciso compreendi o sentido do trabalho da vida, e da vida do trabalho, sim porque cá para mim é necessário fazer a diferença...
Lenha? Fogo? Calor? Fumo?
Vida?
Aquele fumo que saía daquela chaminé era o esforço da vida dele, mas só se via o fumo .
Pergunto e no interior da casa?
Penso mas nem sei ... sim, porque o pensar é o meu: na casa do Zé há calo e calor, e a lenha vai-se queimando devagarinho até se transformar em cinzas.
Acabei por conceber a "Morte"., mas não arranjei raciocínio para ela, e portanto eu vi-a tantas vezes apalpei-a tantas vezes, senti-a tantas vezes...
Mas aonde está o raciocínio da morte?
Sabem bem que o pensamento voa como o vento e de repente estou com a minha bíblia nas mãos e leio João 13:15-19.
"Se me amais, observeis os meus mandamentos, quanto a mim, eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Paráclito, que permanecerá convosco para sempre . É Ele o Espírito de Verdade, aquele que o mundo é incapaz de acolher, porque não o vê e não o conhece. Quanto a vós, vós o conheceis, pois Ele permanece junto de vós e está em vós ."
Será Este finalmente a importância do sentido da vida?
Utilia