sábado, 26 de junho de 2010


...Porque perdi a vontade do querer preciso da tua vontade...
DE BRAÇOS ESTENDIDOS
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Naquele dia os caminhos cruzaram-se porque é assim caminha-se, caminha-se e de repente encontramo-nos noutro caminho com a luz do Caminhante e o sol escaldante… Ele queima a nossa face e quase que nem demos conta que a desidratação das desilusões, das guerras… das tomadas de consciência, das lutas nos deixaram sem forças e caídos, mas como cair é um hábito não notamos a queda…

Quando chega o Bom Samaritano levanta-nos. Pega nos nossos braços e estende-os, estica as nossas pernas. Não se tem vontade… mas só porque falou de esperança sente-se o renascer da nova vida da Nova Esperança. ”HOMEM NOVO “.
E como alimentar o espírito é vital transbordam assim gotas da alma peregrina, em frases salutares:

“Pai aqueles que me deste quero que onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. João 17:24

Era assim mas não era um conformismo social, também não era sem dúvida a falta de presença e de atenção… seria a dor? Não havia sinais de dor física, provavelmente a dor da alma.
Talvez um querer que há tanto tempo se perdeu nas tempestades da vida á força de tanto lutar. E aquele homem, numa posição fetal mais parecia um bloco de pedra que um ser humano.
O querer viver, o querer mexer-se, o querer enfim ser …. E muito menos o ter… Não se sentia, não se via não se tocava.

Penso cá para mim:
_O querer desviou-se da vontade e para se afastar das dificuldades do mundo da vida e da vida do mundo… entrou no, mutismo e numa paralisia estática mas nem por isso aquele rosto era mudo, e subsistem aqueles olhos que têm o brilho cor do mar em tempestade eles só por si falam e respondem a todas as minhas perguntas e sugestões.

Começo a falar… e falo da minha vontade de o ver mobilizar os braços, as pernas. …começo a trabalhar, a fazer os movimentos passivos e a explicar as vantagens e como ficaria feliz em o ver esticar os braços. Ele vai relaxando, descontraindo apanhando confiança e quando chego ao outro dia para cuidar daquele paciente, vejo-o mais confiante, mais descontraído…
E ao aproximar-me, sugeri-lhe: que me mostrasse o que sabia fazer: “ o que sabe fazer….”E vejo esse Senhor já de idade estender-me os braços.
Braços estendidos….Lindo não é? São?
Conseguimos levantá-lo para a cadeira de rodas…
Enfim coisas belas… leram assim o que a vontade de Deus nos traz.
Ele é o mesmo, ontem e hoje; e Ele o será para a eternidade. Heb. 13,8
Louvado seja Deus
Utilia

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

JÁ VEJO AS TEIAS DE ARANHA


Pensei cá para comigo…Tenho que estar mesmo atenta e vigiar….

Lembrei-me daquela frase em João 8:12
“Novamente Jesus lhes dirigiu a palavra: Eu sou a luz do mundo, Aquele que vem em meu seguimento, não andará nas trevas; ele terá a luz que conduz á vida
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Na minha visita aos pacientes, operados aos olhos, uma manhã como tantas outras, o trabalho… não foi diferente… ou sim até foi.
Ao chegar àquela casa, quase ao fim da manhã, senti uma tal paz… vi aquela casa modesta cheia de flores e plantas, senti-me bem…A porta estava aberta, fui acolhida com um abraço, e com alegria.
Aquela Senhora de uns cinquenta anos diz-me:” Estou tão feliz. Já não via há tanto tempo deste olho e do outro pouco via.”

No espaço de um segundo veio-me á memória o retiro que fiz em Fátima no último fim-de-semana, Pensei: Também só via com um olho e mal…

Felicito-a pela linda casa que tem, dou-lhe os parabéns por ter recuperado a visão e faço as perguntas habituais, vejo a TA a Temperatura, aspecto do olho…Tudo bem muito bem.
Ela diz-me: “tenho ali um feijão verde tão bom quer levá-lo?” Não muito obrigada, “um Chá, quer?” Não agradeço, “e uns ovinhos?” Não muito obrigada.

Ela queria dar algo….Por fim pergunta-me então não quer nada? Ao ver tão grande vontade de dar digo-lhe: sim quero.
Reze por mim um Pai-nosso, ao acabar de fazer este pedido, olho para ela e vejo-a feliz.
Ela diz-me: Vamos rezar, eu e o meu marido estávamos a ver a missa na televisão na Canção Nova.

E continua: “Sabe Senhora enfermeira, eu agora já vejo as teias de aranha”.

Penso novamente no meu retiro do último fim-de-semana, e lembro-me do seguinte…

Eu também vejo melhor as teias de aranha da minha alma…

Continua a conversa e diz-me:
_”Ainda não tive tempo para as limpar, mas vejo-as.”
Evidentemente…
Eu também as vejo e ainda não tive tempo para as limpar.

Acabada a visita eu comento com o condutor: Esta Senhora está feliz porque já consegue ver as teias de aranha lá na casa dela.
Resposta do condutor: “Isto das teias de aranha é uma peste tiram daqui e pouco depois já aparecem acolá…”
Pensei cá para comigo…Tenho que estar mesmo atenta e vigiar….
Lembrei-me daquela frase em João 8:12

Utilia