quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ENTRE O CABO DAS TORMENTAS E O CABO DA ESPERANÇA



Aí ... mas de que serve imaginar Regiões onde o sonho é verdadeiro Ou terras para o ser atormentar ? É elevar demais a aspiração, E, falhado esse sonho derradeiro, Encontrar mais vazio o coração. Fernando Pessoa, in Soneto XXXIV



O preto, diferente do branco....Clara evidência.
E ainda que as candeias se acendam durante o dia
Desmaiam diante do Sol intenso.
Mas para o negro mais escuro, as estrelas dão o brilho.

Percorrer a noite escura tem o seu saber.
Ainda que não se vejam, os astros brilham,
Sempre mais alto.
Inaltecem o Firmamento.

É saber...Sim.
O ideal,  é que cada partícula pertença ao Universo.
Se estão tão próximos, os silêncios das vozes caladas,
Falas esquecidas no pez da noite. Eu vou ouvir.

Abeira-se a proximidade do sentimento eleito... Paz
.
Neste novo amanhecer, eu pergunto á aurora:
Para onde se aproxima o dia? Mas não há resposta.
Apenas se ouve um tropeçar distante, num passado já vivido,
Recalcando as passas no caminho

Será vida a cores... ou a preto e branco?
É mais um “A...”, verdade, nua e crua das divergências.
O Tudo tão distante...nada, nada no vazio daquele mar tenebroso,
O Cabo Das Tormenta

,
 Na barca da alegria
Escondem as verdades mentirosas.
Só resta a última realidade. Ela fala.
Mas mesmo nessa, mentem os sentimentos.

Leva a dor, e com precaução, a ilusão.
Chegando mesmo a negar-se á última versão.
O Tudo e o Nada, nunca estiveram tão próximos.
Chega assim, ao Cabo da Esperança.


Utilia Ferrão