domingo, 11 de dezembro de 2011

A MARÈSIA

Caminhar-no-Adevento

A MARESIA

Álvaro Campos escreve: “Nós todos temos duas vidas. A verdadeira que é aquela com que sonhamos na nossa infância... A falsa, que é aquela que vivemos no comércio dos outros...

Aproveitei pegar em mim e meditar nesta frase que me deixou vagas no pensamento, tal como as ondas, trazendo á terra os restos duma barca perdida no alto mar.

Na maresia daquele pensamento,

Ondulam os meus olhos

E no o reluzente faro do que se passa naquela alma

Navego na imensidão daquele mar de sonhos

Subida a pique da saudade

Sempre mais ao largo. Deus no topo, horizontal e vertical

Acima? Ao lado? Dentro de mim?

Indagando sempre mais no sentir.

Acasala-se a lógica e a razão.

E No Mistério e a Acção

Ascendendo assim o milagre da vida.

Aparece uma lâmpada acesa.

Transcendendo a obscuridade do que sou

O Nada e o Tudo aparecem próximos, inseparáveis.

Os julgamentos da alma delimitam-me no espaço corpo.

É inédito...

Tudo fica amplamente discernido

No projecto da existência....

Alguns muros levantados.

Tantas pontes crescidas.

Algumas construções inacabadas...

Brilhante é a vida.

Amarrada com fitas de prata

Fica-se em sopros e assobios.

Cada vez mais Altos

Acorrentada ao que é, ao que foi e ao que será.

Sibilada na ventania dos tempos á deriva: (barca perdida).

Ela pega mais uma vez nas suas mãos e escreve.

Não me reconheço.

A identidade de mim, mesma, separou-se

E agora desfragmentada espalha-se no nada e no tudo que sou

Papeis espalhados, paredes esfumadas pelo fogo da vida, cheiro a fumo, cheiro a mar, cheiro a terra,

E num derradeiro e gástrico sentido.

Uma sensação imensa de comer polegadas e léguas de insultos calúnia e amarguras sem nenhuma necessidade.

Desjejua-se o que se tem no peito

Nada mesmo nada, tudo bem.

Obrigada

Utilia Ferrão