quarta-feira, 20 de junho de 2012

POR RAZÕES X...


Neste momento há pessoas que deixam de tomar os medicamentos que tomavam há já vários anos, falo de doentes crónicos: diabéticos, cardíacos e outros.

Esta manhã estava na farmácia e entrou uma senhora duns 70 anos que trazia uma receita para aviar: um hipo tensor, um anti depressivo e umas gotas para os olhos.
Optou por levar apenas as gotas para os olhos, o resto como era mais caro ficaria (dizia ela) para quando recebesse a reforma e que até lá ia remediar sem eles.
Compreendi que aconteciam coisas que não deviam acontecer na nossa sociedade...

Logo a seguir aviaram-me a receita que levava na mão, quando recebi a factura vi que a soma a pagar tinha subido de 10 E para 60 E.

SURPREENDIDA
Perguntei se não havia ali um erro qualquer...O farmacêutico foi verificar e constatou, que em realidade a paciente, até á data estava isenta de taxas moderadoras mas agora estava a pagar integralmente.
Perguntei: como é possível que com uma reforma tão pequena e isenta de IRS pague tanto?
...Voltas e voltas e... Centro de Saúde...Hospital...Administração.
Depois de me ter inquietado com o assunto, informado... verificou-se que o erro estava num ® que faltava na receita resultado dum defeito técnico, faltava introduzir um qualquer código no programa e...

A paciente estava mesmo isenta.
Erros que acontecem...quem entende procura saber o porquê, mas quem não sabe resigna-se a ir-se embora sem a medicação e por vezes as consequências podem ser fatais.

Depois de me ter devidamente informado pensei em erros e falta de informação
Considerei que poderia ser útil saber que:

_Há o factor agregado familiar
O ficar isento depende do rendimento do agregado familiar e se este é superior a 628,83 o paciente pertencente a este agregado fica “não isento”ou sem isenção.

Escrevi isto aqui hoje pensando: se foi útil para mim informar-me poderá sê-lo também para vós.

Se achar que não consegue, ou tem um problema deste género ou não compreende.
Puderá fazer um requerimento de reconhecimento de insuficiência económica para pagamentos de taxas moderadoras e outros encargos no acesso ás prestações de saúde dos serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde
Para mais informação
Ver
 O Decreto-Lei nº113/2011,de 29 de Novembro
Informação detalhada no Diário da Republica
1ª Série Nº247-27 de Dezembro 2011

Utilia Ferrão

3 comentários:

Ailime disse...

Olá amiga Utília,
Muito pertinente ter colocado aqui este testemunho.
Se há situações que me doem muito no que se está passar neste lindo país são mesmo casos como estes em que as pessoas mais idosas não compram a medicação por falta de recursos, porque as reformas já não dão ou por erros (?) técnicos como o que informa. É um drama enorme que está a alastrar.
Lamento que cada vez mais sejamos olhados não como pessoas mas como simples objectos, perante a indiferença, arrogância e soberba de quem governa.
Esperança em dias melhores.
Beijinhos e muito obrigada.
Ailime

Alfa & Ômega disse...

Utilia, que delícia vir aqui lhe ver! Tudo bem com você? Eu nem tenho palavras para um descalabro desses. Aqui temos gratuitamente remédios para pressão arterial, diabetes e nem sei mais quantos. Eu mesmo faço uso, mas quando vou a uma farmácia que não seja a popular é uma burocracia danada para liberarem o remédio. Parabéns pela sua bondade> Você vivenciou o evangelho, ajudando! Grande abraço, amiga!

Lucinha disse...

Utília,

O ser humano deveria ser tratado com mais dignidade. Os medicamentos são primordiais na vida de um ser humano que tem qualquer tipo de enfermidade.
Aqui na NZ, não existe essa burocracia toda, mas no Brasil, misericórdia!

Senti saudade de todos da caminhada, e estou tentando visitá-los pra deixar um abraço. Tenho tido muito pouco tempo vago pra ficar na internet.

Tenha um abençoado Domingo.