sexta-feira, 12 de junho de 2009

PASSOU UM MELRO A VOAR

Passou um melro a voar
Olhei os seus movimentos.
Vi-me com ele a caminhar
Levava no bico um ramo
Grande, como pode imaginar.
Pousou-o sem olhar,
Havia já outras palhas e ramos
Havia muita profundidade
O ninho estava começado
Mas como dar continuidade...
Quando colocou o fardo
Deu duas voltinhas e cantou
Foi tão inesperada a canção
Que todo o mundo chorou
Cantou com o coração
Parecia mesmo uma história
Era assim que o melro laborava
Pus-me eu a imaginar...
Palhinha com palhinha o ninho continuava
Pousei então este pensamento
Sem mais nada acrescentar
"Bem sei que podes tudo
Nenhum projeto escapa ao teu olhar"
Maos Dadas

5 comentários:

saudades disse...

ola amiga sei que tenho andado um pouco ausente...de ferias ainda nao...quando me sinto em baixo prefiro o silencio sei que não é a melhor solução uma vez que estou a entrar em depressão e a falta de alguem com quem falar é ainda maior...

margarida disse...

Silêncio, silêncio....a criança dentro de mim quer falar a língua dos homens ou a língua dos anjos...alguma coisa que possa nos libertar do silêncio do mundo por trás das paredes e portas fechadas...impiedoso silêncio!!!
Certos silêncios chegam a embrutecer quando tudo falha...nos levando a refletir sobre o não dito, sobre o que mesmo não dito fica marcado e deixa seus registros...todos nós temos medo tanto do mal que nos pode ser feito, quanto das nossas possibilidades de erro..porque erramos, muito e repetitivamente...
Hoje eu vejo a minha humanidade na humanidade, eu vejo pessoas que tem olhos como eu, boca, pernas e braços e fico pensando...porque não posso ver o que tem por dentro? porque não podemos saber??...e tenho medo de ver o que desconheço....
Tenho medo de saber que o silêncio de não ver nos revela o medo...o medo dessa violência quase visível que não se pode ver...mas que tem suas formas e uma força que desafia o sentido de ser humano...
Falo de violência porque vejo a humanidade menos humana, e mais cega de si mesmo, cegos do que somos....e porque somos cegos não nos permitimos romper o silêncio sobre nós mesmos...
Quebrem os seus silêncios e começem a gritar por dentro e por fora contra essa violência desumana, contra a falta de humanidade nos lares, nas ruas, nas estradas...e até mesmo na alma!!!
Eu sinto vontade de gritar, salvem as crianças, salvem a humanidade, salvem-nos...
Sejamos humanos sem medo de sermos, sejamos de todo coração...Não quero pais em silêncio, não quero ser filha em silêncio, não quero orações em silêncio, não quero amar em silêncio...Eu não quero mais perder pra essa filosofia do silêncio....
amiga aqui vai um bocado de mim

DE MÂOS DADAS disse...

Apetece mesmo gritar e impurrar os muros do silêncio, mas eu vi tantas vezes o silêcio falar.
Vi tantas vezes o silêncio escondido a chorar.
É verdade,ás vezes cobrindo uma dor tão grande ...

Silêncio também fala.

Mas também eu "Não quero pais em silêncio, não quero ser filha em silêncio, não quero orações em silêncio, não quero amar em silêncio...Eu não quero mais perder pra essa filosofia do silêncio...."

Gosto mesmo destas frases fortes

Obrigada Margarida

DE MÂOS DADAS disse...

Espero que a Força venha depressa, há dias em que nos sentimos melhor que outros.
Se quizer ou puder vá passando

DE MÂOS DADAS disse...

Peço ás pessoas que comentarem se por acao coloquem ideias ou frases de outros blogs nomeiem os autores ou peçam autorização aos autores
Obrigado pela atenção